Tênis cresce e é um dos esportes mais seguros na pandemia

Avaliação é feita por bauruenses especialistas, os campeões mundiais Roger Guedes e Meca, o consultor e um dos melhores tenistas criados em Bauru, Celso Sacomandi, e o multicampeão dos Jogos Abertos e médico Carlos Cury

A chegada da pandemia interrompeu por muito tempo os esportes amadores que exigem contato físico e muitos dos praticantes de futebol, por exemplo, trocaram a bola, o gramado e o 11 contra 11 pela raquete, a quadra de saibro e o distanciamento que o tênis proporciona. E ocorreu massivamente no Bauru Tênis Clube. O tênis bauruense, que sempre representou a cidade com diversos títulos e possui seis mundiais, quatro deles no final do século passado e o mais recente em 2014, volta a ser febre. O BTC tem quatro estrelas mundiais (L.C. Barros 2x, Faillace e Guedes) e o bauruense Meca também tem dois, de simples e duplas, pelo Paulistano. E um torneio, inclusive, só para os iniciantes do tênis, sem torcida e com jogos agendados para evitar aglomerações, está sendo realizado com todos os cuidados no clube (leia mais abaixo).
Quatro especialistas no tênis opinaram sobre o aumento do número repentino de praticantes durante os últimos meses.

ROGER GUEDES
Um deles é o ex-profissional e ex-top-80 do ranking da Associação dos Tenistas Profissionais (ATP) Roger Guedes, campeão mundial de tênis pelo BTC e por Bauru em 2014, pela Federação Internacional de Tênis (ITF). Roger, 66 anos, segue praticando tênis diariamente, com todos os cuidados sanitários, e espera retornar aos campeonatos internacionais em 2021. Segundo ele, a vantagem do tênis é a distância entre os praticantes e o fato de se jogar ao ar livre. Ele cita que tem acompanhado que em todo o Brasil, não só em Bauru, o número de praticantes está aumentando exponencialmente em 2020.
“No tênis você precisa apenas de mais um para dar jogo, diferentemente dos esportes coletivos. Eu não parei de praticar em nenhum momento. Me sinto muito seguro ao vir para quadra e jogar”, comenta Guedes.

CELSO SACOMANDI
O consultor e ex-tenista Celso Sacomandi, 60 anos, que foi fenômeno nacional em sua juventude, acredita que o aumento de praticantes se deve pelo esporte ter risco muito baixo ou praticamente nulo de contaminação. “Não é um esporte fácil, para quem está começando, mas é preciso insistir. Com o tempo e a prática a pessoa vai pegando mais controle das raquetadas, o tempo de bola e o espaço da quadra, que é enorme. Quando se começa no tênis, não quer parar mais. E é possível iniciar com qualquer idade”, comenta.Celso acrescenta ainda que apesar de seu estado de saúde, sendo portador da adrenoleucodistrofia, doença degenerativa, ele se sente tranquilo e apto a praticar o esporte com frequência, sobre duas rodas. “A Covid impactou o tênis de forma financeira também. Alguns dos principais torneios do mundo foram cancelados, como a Copa Davis e Wimbledon. As premiações não mudam, mas os tenistas vão perder receita pela diminuição de torneios. E os organizadores foram impactados pela ausência de bilheteria”, diz Celso.

MECA
Júlio Góes, o Meca, 64 anos, que dá aulas de tênis no tradicional Club Athletico Paulistano, de São Paulo, os clubes da Capital ficaram fechados, assim como Bauru, mas só abriram um bom tempo depois, no último dia 20 de julho. Por lá, as aulas de tênis só foram autorizadas a retornarem no dia 10 de agosto. Em Bauru o retorno aconteceu há quase três meses. Segundo Meca, devido a quantidade de casos de Covid em São Paulo e muito em função de os clubes ficarem fechados por longo período, os praticantes de tênis estão retornando gradativamente.

SISTEMA IMUNOLÓGICO
O tenista tetracampeão dos Jogos Abertos do Interior e médico, Carlos Cury, 75 anos, ressaltou a importância do fortalecimento imunológico por meio das atividades físicas. Ele afirma que a reabertura dos clubes, primeiramente para caminhada e corrida e depois para tênis e esportes sem contato físico, mudou o seu astral e dos amigos. “Praticar o tênis não é só seguro, do ponto de vista de contaminação, mas nos faz respirar melhor e mais forte. Sempre, claro, com os devidos cuidados”, acrescenta.
O espaço que fica uma quadra de tênis, que compreende pilares e grades do entorno, tem uma área total de quase 700m², segundo o BTC.

TORNEIO INICIANTES
O campeonato de tênis que veio para dar o start na retomada competitiva no Bauru Tênis Clube, além de fomentar o esporte para os betecistas que tiveram suas modalidades paralisadas pela pandemia, vem agitando o BTC. Trata-se do Torneio de Tênis Iniciantes 2020, que obteve um sucesso de 45 inscrições, com chaves A e B no masculino, e tabela feminina. Todos disputando competição pela primeira vez no clube. Os organizadores destacam que todos os jogos são agendados, para que todos possam realizar as disputas em horários alternativos, evitando aglomerações. Patrocínio da Agência Somma, Comprando, Ótica Cidade, Flipper Lanches, Mezzani, Jornal da Cidade, JCNET, professores de tênis Alessandro Coelho, Carlinhos Oliveira, Carlos Bonfim, Claudinho Sacomandi e Sonny Umino, professor de beach tennis Helder Gouvea e produtos Yoshikasu Ono.

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